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Acusado de matar mulher trans por dívida de R$ 22 vai a júri e responderá em liberdade; segundo réu é retirado do processo

Vídeo registra grito de socorro de mulher trans que morreu após ser agredida A Justiça de Minas Gerais decidiu levar a júri popular um dos acusados pela mor...

Acusado de matar mulher trans por dívida de R$ 22 vai a júri e responderá em liberdade; segundo réu é retirado do processo
Acusado de matar mulher trans por dívida de R$ 22 vai a júri e responderá em liberdade; segundo réu é retirado do processo (Foto: Reprodução)

Vídeo registra grito de socorro de mulher trans que morreu após ser agredida A Justiça de Minas Gerais decidiu levar a júri popular um dos acusados pela morte de Alice Martins Alves, mulher trans de 33 anos espancada após sair sem pagar uma conta de R$ 22 em uma lanchonete da Savassi, na Região Centro-Sul de Belo Horizonte, em novembro do ano passado (relembre o caso ao final da reportagem). Segundo a decisão, Arthur Caique Benjamin de Souza será julgado por homicídio qualificado. Para a juíza Ana Carolina Rauen Lopes de Souza, responsável pelo caso, há provas e indícios suficientes de que ele participou diretamente das agressões contra Alice, mas rejeitou a hipótese de feminicídio e uso de meio cruel (saiba mais abaixo). Já o outro acusado, Willian Gustavo de Jesus do Carmo, foi impronunciado; ou seja, a juíza decidiu encerrar a ação penal contra ele. Ela avaliou que não há provas que ele a agrediu, mas que apenas "permaneceu distante", "rindo e debochando da situação". A decisão foi tomada nesta quinta-feira (7) em sentença de pronúncia, etapa em que a Justiça avalia se há indícios suficientes para que o caso seja julgado pelo Tribunal do Júri. O g1 tenta contato com as defesas de Arthur e Willian. Arthur Caique Benjamin de Souza, acusado de espancar e matar Alice Martins Alves Divulgação Retirada de feminicídio e uso de meio cruel Apesar de determinar que Arthur vá a julgamento, a juíza retirou duas qualificadoras pedidas pelo Ministério Público: feminicídio e uso de meio cruel. Na decisão, a magistrada afirmou que, até o momento, os elementos do processo indicam que o crime teria sido motivado pela cobrança da dívida de R$ 22, e não pelo fato de Alice ser uma mulher trans. Por isso, afastou a tese de feminicídio com motivação transfóbica. A juíza também entendeu que não ficou comprovado que os agressores tenham utilizado meio cruel com a intenção de provocar sofrimento prolongado ou agir com sadismo, embora tenha reconhecido a violência das agressões. O inquérito policial afirma que Alice só não morreu no local porque um motociclista que passava pela região interveio e acionou o Samu. (relembre abaixo) Por outro lado, foram mantidas as qualificadoras de motivo fútil e recurso que dificultou a defesa da vítima. Segundo a decisão, há indícios de que Alice foi agredida por causa de uma dívida considerada insignificante e em condição de vulnerabilidade, já que estaria alcoolizada no momento do ataque. Acusado responderá em liberdade Arthur, que estava preso preventivamente, recebeu autorização para responder ao processo em liberdade. A soltura, no entanto, foi condicionada ao cumprimento de medidas cautelares. Ele deverá usar tornozeleira eletrônica por pelo menos um ano, manter distância mínima de 300 metros das testemunhas e familiares da vítima e não poderá se ausentar da capital mineira por período prolongado sem autorização judicial. O julgamento pelo Tribunal do Júri ainda não tem data marcada. Nessa etapa, sete jurados escolhidos entre cidadãos da sociedade civil decidirão se o acusado é culpado ou inocente. RELEMBRE: Entenda caso da mulher trans morta em BH após espancamento Vídeo mostra pedido de socorro de Alice enquanto era espancada Alice Martins Alves, de 33 anos, foi espancada por um homem desconhecido no dia 23 de outubro de 2025, na Savassi, em BH. Reprodução Relembre o caso Alice Martins Alves foi espancada na madrugada de 23 de outubro de 2025, após sair de uma lanchonete na Savassi sem pagar uma conta de R$ 22. Segundo as investigações, dois funcionários do estabelecimento foram atrás dela e a agrediram com socos e chutes. A Polícia Civil apontou que a vítima sofreu ferimentos graves, como fraturas nas costelas, desvio de septo nasal e perfuração no intestino. De acordo com o inquérito, Alice só não morreu no local porque um motociclista que passava pela região interveio e acionou o Samu. Ela chegou a receber atendimento médico e foi liberada no mesmo dia, mas voltou a procurar hospitais nos dias seguintes devido às dores e ao agravamento do quadro clínico. Dias depois, exames identificaram lesões internas graves provocadas pelas agressões. Alice morreu 19 dias após o espancamento, em decorrência de um choque séptico causado por infecção generalizada ligada à perfuração intestinal. Vídeos mais assistidos do g1 MG